domingo, 29 de agosto de 2010

Fita Dada
Por: Fuzzil

A fita fora dada. Fernando não imaginava que iria ter tanta gente no local; percebi que ele estava um tanto nervoso e disse:
-Mano, relaxa, fica de boa, que vai dá tudo certo. O lance é o seguinte parceiro: você vai ficar perto do Buzo; quando for a tua vez de entrar, chega com tudo arrebenta. Não esquenta a cabeça, fique 'a pampa', pois o bagulho vai ser 'mil grau', você vai tirar de letra e depois vai ouvir os fortes comentários.
O movimento dentro do ambiente aumentava cada vez mais, apesar da noite fria e a garoa.
Fernando foi ficando um pouco mais calmo. Tá certo que eu também estava meio nervoso, Deus me livre se algo desse errado, mas fiquei de boa pra não atrapalhar. As pessoas se movimentavam de um lado para o outro, uns com agenda, outros com bolsas. Avistei uma garota ruiva com um livro na mão. Robson estava de canto, só observando. O meu celular tocou.
- Alô!
- Salve rapaz firmeza!
- Salve, quem tá falando?
- É o Wton, truta! Aê, sangue, tá tudo no pente? o Gilberto vai colar com o Fuzzil e já é.
-Tá certo, to no aguarde.
Fernando, tinha bolado o plano no mês passado, e teve a idéia de me chamar para participar. No começo, fiquei meio sem jeito. Na verdade não queria me envolver, mas conheço o cara a 'miliano' e pelo fato de ser um grande amigo, resolvi chegar junto com ele.
Todos estavam na espectativa, lembro-me de ter tomado um copo de vinho para ficar na disposição, e perguntei se ele tinha comentado com mais alguém.
-Que louco, olha só o tanto de gente no bagulho, Disse Fernando. Vinte horas em ponto, tudo começa. Fernando foi o terceiro a entrar em cena, Tiago fora o primeiro. Com um papel em umas das mãos, percebi seu nervosismo. No início até pensei que iria dar errado, nessa hora agente pensa mil fitas. Dona Maria, de 60 anos de idade, quase teve um infarto, não imaginava que seria pega de surpresa. Assim que Tiago entrou, na sequência veio o Robson. Ninguém dentro do ambiente notou que o mesmo estava envolvido no esquema. Robson saiu do canto e no sapatinho, não disse sequer uma só palavra. atento, ele espera a hora certa para agir. Fernando mandou bem, estava ao lado do Buzo quando ouviu gritarem pelo seu nome. Ele correu para o meio do povo e, como se tivesse transformado em um bicho feroz, chegou com tudo na fúria e disparou rajadas. Rajadas de palavras na cabeça das pessoas.
Tudo esquematizado. Depois de uma belíssima interpretação e de ter sido bem aclamado, ele disse:
-Esse poema dedico à Dona Maria, uma Guerreira da periferia! Outras pessoas também recitaram, e o sarau ocorreu de uma forma cabulosa. Gente bonita, música e poesia.


( Do livro Pelas Periferias do Brasil II)

Um comentário:

vato cria das ruas... disse...

loko memu tru eu tenhu esse livru zikão,.....